Morar e mudar

Comprar a casa própria ou continuar no aluguel?

Com a Selic perto de 14% e o aluguel subindo acima da inflação, vale financiar a casa própria agora ou seguir alugando e investindo a diferença?

A casa própria ainda é o grande objetivo de muita família brasileira, mas a conta mudou. Os aluguéis anunciados subiram bem acima do IPCA em 2026, enquanto o financiamento ficou caro com a Selic em dois dígitos. Antes de dar a entrada, compare a parcela com o aluguel de um imóvel parecido, some ITBI e cartório e veja quanto o mesmo dinheiro renderia aplicado.

Resposta curta

Compre se você pretende ficar no mesmo lugar por muitos anos, a entrada não esvazia a sua reserva de emergência e a parcela, somada a IPTU, condomínio e seguros, cabe com folga no orçamento. FGTS e, para quem se enquadra, o Minha Casa Minha Vida ajudam bastante. Se a vida pode levar você para outra cidade em pouco tempo, ou se a entrada sairia da reserva, alugar e aplicar a diferença costuma vencer enquanto a Selic seguir em dois dígitos, desde que o dinheiro seja de fato investido todo mês.

Equilíbrio do modelo

Pendendo para o não

Os contras levam vantagem, mas não é uma goleada.

44%
A favor
56%
Contra
Pró mais forte

Ninguém pode pedir o imóvel de volta, seja por venda, seja no fim do contrato

Maior risco

Tirar a entrada da reserva me deixaria sem colchão para um desemprego ou uma emergência

Como o veredito funciona

Cada item conta com o peso que você deu a ele. Subpontos podem reforçar ou enfraquecer o item pai em até 50% — a sua própria nota sempre permanece a principal.

Toque em qualquer argumento abaixo para desativá-lo e ver a balança se mexer — os subargumentos alteram o peso do item pai.

Prós

Contras

Deixe do seu jeito

Ajuste os argumentos e os pesos à sua situação — o veredito é recalculado ao vivo.

Confira antes de decidir

  • Simule o financiamento em pelo menos três bancos, nas tabelas SAC e Price, e compare o Custo Efetivo Total
  • Pergunte à prefeitura a alíquota do ITBI e ao cartório o valor de escritura e registro antes de fazer a proposta
  • Confira no app do FGTS o saldo disponível e se você cumpre as regras para usá-lo na compra
  • Tire a matrícula atualizada do imóvel e as certidões negativas do vendedor
  • Calcule quanto a entrada renderia num título atrelado à Selic e compare com o aluguel de um imóvel parecido
  • Mantenha pelo menos seis meses de despesas guardados depois de pagar a entrada e os custos de cartório
  • Se a renda familiar for compatível, faça a simulação do Minha Casa Minha Vida no site da Caixa

Perguntas frequentes

Com a Selic alta, alugar e investir a diferença compensa mais?
Muitas vezes, sim, pelo menos no papel. Em setembro de 2026 o Copom levou a Selic a 13,75% ao ano, e a rentabilidade média do aluguel medida pelo FipeZap estava pouco acima de 6% ao ano. Na prática, o dinheiro da entrada aplicado num título atrelado à Selic tende a render mais do que o aluguel que você deixaria de pagar. A conta só fecha se a diferença for mesmo investida todo mês, e não gasta.
Posso usar o FGTS na compra do imóvel?
Pode, na entrada, para amortizar o saldo devedor ou para abater parte das parcelas, desde que o imóvel seja para sua moradia, fique na cidade onde você mora ou trabalha (ou na mesma região metropolitana) e você não tenha outro imóvel residencial ali. Com o novo modelo de crédito imobiliário, o teto do SFH subiu para R$ 2,25 milhões, o que ampliou a faixa de imóveis enquadrados. Confirme as condições com o banco antes de assinar.
Quais custos aparecem além da entrada?
O ITBI, cobrado pela prefeitura sobre o valor da compra, a escritura e o registro no cartório de imóveis, a avaliação do banco e, no financiamento, os seguros obrigatórios de morte e invalidez (MIP) e de danos ao imóvel (DFI), que vêm embutidos em cada parcela. Depois, obras do condomínio, fundo de reserva e consertos estruturais passam a ser seus, quando no aluguel a Lei do Inquilinato os coloca na conta do proprietário.
O dono pode me tirar do imóvel alugado?
Durante o prazo do contrato, não. A Lei do Inquilinato impede o proprietário de retomar o imóvel antes do fim, e você pode sair antes pagando uma multa proporcional ao tempo que falta. Se o imóvel for vendido, porém, o comprador pode pedir a desocupação com 90 dias de aviso, a menos que o contrato tenha cláusula de vigência averbada na matrícula. É essa insegurança que muita gente quer eliminar ao comprar.
Tabela SAC ou Price, qual escolher?
Na SAC as primeiras parcelas são mais altas e vão caindo, porque você amortiza o mesmo valor do saldo todo mês. Na Price a parcela começa menor e fica mais estável, mas o total de juros pago ao longo do contrato é maior. Para quem aguenta apertar o orçamento no começo, a SAC costuma sair mais barata. Peça a simulação nas duas e compare o Custo Efetivo Total, que inclui seguros e tarifas.

Com a Selic perto de 14% e o aluguel subindo acima da inflação, vale financiar a casa própria agora ou seguir alugando e investindo a diferença?

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